quarta-feira, 22 de maio de 2019

Do céu ao inferno em 10 minutos

O ABC sofreu uma dura virada no último domingo (19), diante da equipe mista do Botafogo/PB. Mesmo abrindo o placar aos 35 do segundo tempo, o Mais Querido levou o empate aos 42 em uma falha bisonha e coletiva da defesa, e a virada aos 48, com mais uma falha de marcação. Com isso, o alvinegro saiu da 3ª para a 6ª colocação na tabela. Mesmo com a estreia do novo treinador e a promessa de sangue novo, o time não engrenou. Mas afinal, o que aconteceu? Vamos analisar.

RANIELLE AINDA TEM CULPA?

Não. A primeira coisa que precisa ser feita, é desvincular o nome de Ranielle ao time do ABC. De fato, o treinador não vinha realizando um bom trabalho há algum tempo e sua saída foi, na minha opinião, acertada (um pouco demorada até). Mas, diferente do que ouvi de alguns torcedores após o jogo de domingo, o ex-treinador não tem qualquer culpa no resultado negativo da partida. Nada de "ele bagunçou o time", "time mal treinado" e outras coisas do tipo. A culpa de Ranielle acabou no domingo retrasado, em Aracaju.

ENTÃO A CULPA É DE SÉRGIO SOARES?

Também não... em partes. Durante a semana, em suas coletivas, Sérgio Soares propagou um discurso coeso, falando em time ofensivo, que propõe jogo, que agride o adversário (no bom sentido), que joga da mesma forma dentro e fora de casa, etc. Como teve apenas três dias para treinar o time, não fez grandes mudanças na equipe titular. A única troca por opção foi do zagueiro Joécio, que substituiu Henrique. A outra mudança (Hélio Paraíba no lugar de Rodrigo Rodrigues) foi por motivos de contusão. Uma atitude correta, pois mudar o time de forma drástica poderia trazer consequências negativas. No primeiro tempo, o time do ABC foi bem parecido com aquele de Ranielle, nada de novo, não pressionava o Botafogo, não produzia. Eu cantei a pedra da substituição ideal no intervalo do jogo. Jefinho por Luan. E foi o que ele fez. O ABC teve uma boa chance no início do jogo graças a uma falha da defesa do Botafogo, e uma chance incrível perdida mais uma vez pelo atacante Anderson. Depois, cantei a segunda pedra de substituição ideal: Boris Sagredo por Anderson. E foi isso que ele fez. Parecia que a minha leitura de jogo batia com a do novo treinador. O ABC melhorou, viveu seu melhor momento na partida, agora que Anderson Rosa tinha alguém para lhe ajudar a trocar passes e rodar o jogo. Boris é um bom jogador e não pode ser reserva nesse time do ABC. Mostrou isso na final do Estadual e mostrou de novo hoje. Mas isso é assunto para outro post. Vamos voltar à análise. Depois de melhorar no jogo, o ABC chegou ao gol com uma cabeçada de Hélio Paraíba. 1x0, torcida animada, time jogando bem, novo treinador estreando com vitória, novo ânimo. Tudo ia bem, e eu havia pensado na terceira substituição ideal: a entrada de Maicon no lugar de Ivan. Mas dessa vez, pensamos diferentes. A placa do quarto árbitro subiu e lá indicava a saída de Hélio Paraíba para a entrada de Anderson Pedra. Um atacante por um volante. Dessa forma, ele recuou o time. Era inevitável. Chamou o Botafogo para cima. Teve azar nos gols sofridos? Teve, pois foram falhas individuais também. Mas ele também cometeu uma contradição ao fechar o time daquela forma. E não apenas pela entrada de um volante, mas pela entrada de Anderson Pedra, que vem mal em 2019. Além disso, o ABC estava bem na partida, dava para ter colocado um atacante e continuado a propor jogo. Mas o treinador teve uma infelicidade ao escolher a terceira substituição, e por isso, na minha opinião, ele errou e tem uma parcela de culpa.

EU ACREDITO EM SÉRGIO SOARES

Apesar dessa minha crítica a ele, quero deixar claro o seguinte: não estou pedindo a cabeça de nenhum treinador. Gosto do trabalho de Sérgio Soares, acho que ele vai dar certo aqui no ABC e ele precisa de tempo. Estou apenas fazendo uma crítica pontual. A estreia dele poderia ser melhor e estava caminhando para isso, mas o ABC teve uma sequência de infelicidades de custaram três pontos preciosos, contra um Botafogo misto que já estava com a cabeça no jogo de amanhã contra o Fortaleza. Contra o Santa Cruz, no próximo sábado, o treinador terá uma chance de ouro para provar aquilo que disse em sua chegada ao ABC, sobre jogar para vencer tanto dentro como fora de casa, e acabar com esse desastre que vem sendo o alvinegro nos jogos fora de casa.

E AS CONTRATAÇÕES?

Uma coisa que já estava claro na mente do torcedor, e deve ter ficado na do treinador também, é a necessidade por reforços. O ABC precisa de um ou dois atacantes rápidos, um volante de pegada e um zagueiro, no mínimo. Os laterais, eu ainda acho que Maicon e Evandro serão titulares nesse time e precisam ter uma sequência. Segundo alguns jornalistas locais, o ABC contratou o meia-atacante Moisés, campeão da Série C em 2015 pelo Vila Nova. Acompanhei o jogador naquela época, e posso afirmar que se ele jogar o que jogou naquele ano, terá sido uma baita contratação, e que se for somada a mais duas ou três contratações pontuais, mudará o patamar desse time do ABC.